segunda-feira, 17 de maio de 2010

Go Laos!

Expectativas para um lugar desconhecido, onde eu particularmente não tinha idéia do que iria encontrar. Pensava muito na comida, onde iria dormir e o que exatamente estava me esperando por lá. Por fim, resolvi não criar certas expectativas, apenas curtir o que estava por vir, e foi exatamente isso que aconteceu. Assimo como eu, as meninas também curtiram o momento. Chegamos em Luang Prabang num aeroporto super pequeno. Logo na saída pegamos um tuk tuk, e o calor e a poeira não puderam passar despercebidos. Só queria me enfiar dentro de um quarto com ar-condicionado - isso era prioridade para a gente ter uma boa noite de sono.

Conseguimos um guesthouse por US$25 o quarto duplo e com a nossa prioridade incluída. Nos deparamos numa cidade com grande influência francesa, já que os franceses, além dos chineses, tentaram dominar esse país. Mas um ar da França pairou por lá e degustamos deliciosos croissaints, pan au chocolat e outras maravilhosas quitutes francesas, simplesmente numa cidadezinha do interior do Laos. Como culinária local, os pratos preparados com frutos do mar são uma ótima pedida, todos deliciosos.

Riquíssima em artesanato, a cidade tem um mercado noturno que é de se perder no meio de tanta cor, história e vivacidade. É impossível sair de lá sem nada. Outro ponto forte é a caminhada com os elefantes, o que tem que ser feito para falar que fez, mas confesso que foi meio tosco, além disso, deu dó ver os olhares meio tristonhos dos animais. Não demos muita sorte. Incrível mesmo foi ir numa cachoeiras mais bonitas que já vi, com uma cor azul cristalina que inicia com uma queda d`água de uns 20 metros, no “chutômetro”, e que vai se transformando em piscinas naturais. O lugar é encantador e relaxante. Um mergulho na água super gelada já bastou para tirar toda urucubaca.

No último dia acordamos muito cedo para ver a tradicional caminhada dos monges. Eles saem às cinco e meia da manhã pela cidade para receber oferendas das pessoas - são comidas preparadas pelo povo local. Em várias cidades da Ásia esse ritual budista acontece todos os dias, mas não sei por qual motivo Luang Prabang levou fama, atraindo ainda mais turistas para o local. Em pesquisa pela internet, li que após ter essa invasão turística os monges começaram a passar mal com as comidas oferecidas pelos turistas. O que acontece é que como os viajantes não têm tempo de preparar as comidas, eles compram das pessoas locais que cozinham no dia anterior, mas não com os devidos cuidados. Em função disso os monges quiseram suspender a caminhada rotineira, mas o governo não liberou. Disseram então que se não houvessem monges verdadeiros, iriam contratar atores para substituí-los. Ser turista nessas horas dá até vergonha. É incrível como essa atividade pode tirar a essência do local. Temos que pensar como explorar os lugares sem destruí-los, o famoso turismo sustentável. Bom, essa é uma outra história que gostaria de discutir no meu blog, talvez abra um parênteses para esse assunto.

Num todo, Laos é um país rodeado por montanhas e como os guias dizem, a maior riqueza vem das pessoas. Você é recebido muito bem, sentindo quase em casa e seguro num dos 20 países mais pobres do mundo – informação recolhida do guia Lonely Planet e que me fez antenar ainda mais para essa questão. A economia está crescendo e são grandes as ambições para este país sair desse status. Infelizmente ainda não é muito visível isso por lá.

Depois de uma cidade com um ar místico pelos templos e pelo povo, fomos para um destino mais conhecido pelo famoso Tubing – uma espécie de circuito bebedeira durante o dia descendo o Rio Mekong com uma bóia, num cenário deslumbrante. Estávamos em Vang Vieng. Para tentar entrar no clima tomamos uns mojitos, mas que não passou de um copo para cada um. Com o calor que estava e já que para nós bebida e rio não combinam muito, além de não estarmos no clima, achamos melhor aproveitar o máximo de tempo na água do que ficar nos bares que tem ao longo das margens e que oferecem vários jogos e brincadeiras, tudo incluindo bebida alcoólica. Dos bares, aproveitei mesmo para pular de tirolesa, onde fui lançada na água tomando um tapão nas costas, mas que valeu a dor. Gostoso foi a sensação de estar no meio do nada, descendo um rio que corta boa parte da Ásia, com as montanhas ao redor e sem nenhuma preocupação. Isso renova a alma e te faz agradecer por estar ali.

A cidade em si é sem charme, mas o que chama a atenção são os restaurantes que passam na TV o seriado Friends e que ficam cheios de gente assistindo por horas o programa. Sem ter muito mais o que fazer, partimos para a capital, Vientiane, lembrando apenas que tem pessoas que conseguem ficar uma semana para mais indo todos os dias no tubing e trabalhando nos bares locais. São jovens entre seus vinte anos de idade e parecem estar perdidos por lá, sem rumo.

Vientiane nos surpreendeu mais pela falta de desenvolvimento de uma capital. A cidade nessa época fica com uma temperatura bem elevada e difícil de suportar. No mesmo dia em que chegamos pegamos um tuk tuk para fazer um tour. Não nos restava muito tempo em Laos. Visitamos alguns lugares não muito atrativos, sob um sol de rachar e numa poeira que nos cobriu totalmente. Nunca me senti tão suja. Depois de tomar um bom banho para tirar a inhaca, terminamos o dia num restaurante italiano, tornando um dos jantares mais caros da viagem, mas nada além de trinta dólares, incluindo uma garrafa de vinho.

Percebe-se que as lembranças não são muito boas de Vientiane, mas sempre vale para experimentar as diversas sensações que a gente encontra num mochilão e ver de perto a realidade do país. Adorei conhecer Laos, um lugar que eu nem sabia direito aonde ficava. Próximo destino: o tão esperado Vietnã.

 
Inspiração para o título e esperança para o país


 
Chegada em Laos - tuk tuk no aeroporto de
Luang Prabang


Mercado Noturno


Menina no Mercado


Crianças vendendo pássaros para serem soltos
nos templos - simbolismo de imortalidade?

Caminhada dos Monges - no canto esquerdo um turista
oferece comida


Caverna em Luang Prabang



Caminhada com os elefantes

Templo budista em uma caverna -Luang Prabang

Feira de Comidas - Luang Prabang

Cachoeira - Luang Prabang


Pôr-do-Sol em Vang Vieng


Monumento mais importante de Vientiane - capital do Laos

Influência francesa - o Arc du Triumph em Vietiane

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