terça-feira, 29 de junho de 2010

O Brasil, eu e minhas mudanças

Agora é tudo ou nada. O Brasil ontem fez um bom jogo e o clima de Copa do Mundo chegou para valer. Mais três jogos e seremos campeões. O caminho está tranquilo, apesar de que o próximo duelo promete ser bem apertado. No estádio a minha vibração também mudou. A cada gol comemorei muito mais do que nos outros, e o bom é que fiquei no meio só de brasileiros, inclusive do tenista Guga. No jogo contra Costa do Marfim estava rodeada dos meus “opositores” e a torcida não estava muito animada.

Esse foi o único jogo que compramos ingressos antecipadamente, mas ganhamos dois, e por isso vendemos na porta por míseros seiscentos e cinquenta rand, equivalente a menos de cem reais cada. Só que fiquei feliz, pois deixou um africano extremamente radiante de alegria. Ele só tinha exatos duzentos e cinquenta na carteira, e ao lado tinha uma homem que pagaria o total que estávamos pedindo. Mas senti que o primeiro merecia e resolvi aceitar menos. Acho que ele ligou para a família inteira contando o grande negócio do ano dele, não deu para entender o dialeto africano, mas pelo tom da voz dava para ver que nem ele acreditava, toda hora que olhava para a gente agradecia com um sorriso estampado no rosto. Fiquei bem em saber que fiz a escolha certa...sou coração mole, eu sei.

Bom também foi parar antes de entrar no estádio no pub California, que para minha surpresa dava para a rua e não estava no meio de shoppings como usualmente é por aqui. Churrasco na brasa e um bom pão com salsicha, mas que para mim tinha mais gosto da nossa linguiça. Depois do jogo fomos num bar estilo brasileiro, do mesmo dono do botequim Informal, do Rio de Janeiro, segundo fontes amigas. Nem estava com muita fome, mas não resisti a umas colheradas do caldinho de feijão para matar a saudade.

Aliás, nestes últimos dias minha alimentação anda péssima, estou tendo que comer coisas que normalmente não comeria...hamburguer, cachorro quente, pasta, pasta, pasta e por aí vai, mas a partir de hoje acho que irá melhorar. Soube ontem que vamos ter que mudar para uma outra casa, mais central e parece que tem tudo do bom e do melhor, como se fosse um hotel. Feliz por um lado porque depois de dias passando frio e comendo mal (até parece que sofri), vou entrar no maior conforto; e triste por outro, por estar deixando o lado tranquilo e “country” de Joanesburgo. Acho que não cheguei a comentar, mas a casa que estou até agora fica num rancho com cavalos, cachorros, uma bela paisagem e uma paz permanente. Também não me lembro se relatei que estou um pouco em função do trabalho do Matt, então, para onde ele for, vou atrás. O período que fiquei no Lions Park, ele estava em Pretoria, praticamente incubado num lugar, trabalhando 24 horas por dia, mas felizmente acabou e vamos poder curtir a Copa mais relaxados e juntos.

O segundo fato pela tristeza é que não sei mais se vou ter como continuar o trabalho com as crianças, já que não tenho carro e vou ficar quilômetros de distância daqui. Mais uma vez me deparo com o problema do transporte, embora vou procurar não pensar muito nisso. Infelizmente não consigo dar conta de tudo, mas vou tentar ir pelo menos mais algumas vezes lá, inclusive para me despedir delas. Por fim, o último fato é ter que empacotar tudo, roupas, sapatos, presentes e livros nas minhas duas malas e uma mochila que não cabe nem mais um alfinete. Não estou com a menor vontade, acho que vou arrumar umas caixas de papelão e jogar tudo lá dentro. Preguiça só de pensar.

Mudanças de planos e ter que resolver as coisas em cima da hora está sendo uma coisa comum na minha vida. Desde a viagem pela Ásia, que fomos somente sabendo os países que queríamos ir e mais nada, até aqui que as coisas foram simplesmente acontecendo e eu tendo que me enquadrar a elas. Vejo isso por um lado positivo, aprendendo ainda mais a me adaptar ao famoso novo, que tanto adoro. Minha passagem de volta está marcada para o dia 20 de julho, a do Matt, cinco dias antes. Ainda não tenho certeza do que quero fazer, lógico que tenho alguns planos para até lá e para depois, mas eles podem mudar, como já é de praxe, então, vou montando meu quebra-cabeça com calma, aí as peças vão se encaixar mais uma vez, e no fim, tudo dá certo, se não der, paciência...a vida é assim.

sábado, 26 de junho de 2010

Adeus aos leões

Felizmente não tive tempo essa semana para escrever no blog. Digo felizmente porque algumas semanas atrás reclamava de não ter muito o que fazer. Somente o tempo faz você entender e se adaptar ao novo. Foi exatamente o que aconteceu, e nem demorou tanto assim, mas por ter tão pouco tempo aqui, me pareceu meses.



A minha experiência no Lions Park continua apesar de já estar no fim, e a cada dia fico mais íntima dos animais, principalmente como lidar com os filhotes de leões e as girafas. Acho que o ponto alto dessa experiência foi a caminhada com uma das chitas, ou guepardos. Fui com o Alex, um domador de felinos e a única pessoa daqui que ganhou o respeito desses bichos. Foi uma surpresa para mim, pois não tinha a menor idéia de onde estava indo, mas quando ele te chama para fazer alguma coisa é algo surpreendente, por isso sempre digo sim.



A primeira vez fomos ver os lões adultos se alimentando. Tomei um susto quando vi um cavalo em pedaços sendo devorado em minutos. O pior para mim foi saber que era um cavalo. Antes disso ele saiu do jeep, chamou os leões, brincou com eles, e colocou pedaços de carnes na grade de proteção do veículo, o que fez eles ficarem bem perto de nós. Mas a caminhada com a chita foi incrível por ela estar simplesmente livre para fazer o que quiser. A sensação de estar ao lado dela somente sob proteção de um humano é de dar arrepios, fora ainda o rugido que não parou por um minuto. Graças a uma outra voluntária, consegui fotos perfeitas, mas ainda não estão comigo.



Com tantas novas experiências acontecendo agora, me desliguei um pouco da Copa do Mundo, quer dizer, domingo estive no jogo e ontem não deixei de assistir, mas aqui você esquece da vida, mesmo com tantos brasileiros visitando o parque...me sinto em casa às vezes. O contato com pessoas de vários países está sendo bastante interessante também, além do meu inglês, tenho arriscado no espanhol, e quando falo português com algum conterrâneo, aí é pedir por um bate-papo, sempre com as mesmas perguntas, respostas e comentários. Acabo que viro mais uma atração, até entrevistas já dei e de algumas consegui tirar meu corpo fora, mas com o clima de Copa do Mundo tudo se torna divertido. Os próprios jogadores de algumas seleções vieram aqui para esquecer um pouco de futebol. Sexta-feira, por exemplo, recebemos a Seleção da Alemanha e cia, e eles pareciam crianças no meio dos filhotes, o que é quase impossível não se sentir assim com os pequenos felinos.



Isso tudo terminará domingo. Passou tão rápido que agora nem importo mais com o frio ou com a zona que está na tenda, a vontade mesmo é de prolongar por mais uns dias, mas também ao mesmo tempo não vejo a hora de estar no meu próprio quarto e poder fazer o que estiver em mente. Definitivamente preciso ter meu próprio espaço, uma hora só para mim, chego a ficar maluca só de pensar que semana que vem irá chegar onze voluntários.



Amanhã é o dia de dar adeus aos animais, já estou sentindo falta de acordar e me deparar com eles, levar mordidas e arranhões, observar as girafas e alimentá-las, e claro, de fazer um leãozinho dormir no meu colo parecendo um bicho de pelúcia. Para quem pode ter essa oportunidade, não deixe passar, o contato diário com eles te renova e traz uma sensação como nenhuma experimentada antes, seja em qualquer lugar ou com o animal que for, só faz bem.

 
Alex com um dos leões machos











domingo, 20 de junho de 2010

Dez dias de uma nova experiência

Essa semana mudei temporariamente para outro canto da cidade, por isso a minha ausência aqui no blog. Vou ficar por dez dias no Lions Park, um dos maiores atrativos de Joanesburgo, já que é um dos poucos lugares que os visitantes podem tocar os filhotes de leões. Depois, voltarei para continuar por mais um tempo o trabalho com as crianças. Como voluntária do parque, minha função é alimentar os animais, orientar os turistas e dar assistência aos staffs fixos daqui.

Todos os dias às sete horas da manhã estamos de pé. O frio está ficando quase impossível de suportar, e como as acomodações não são nenhum luxo, temos que inventar formas para aguentar. Imagina que os banheiros e a cozinha são na área externa, e não há quartos, são tendas que o vento passa por baixo, e depois de um dia de trabalho intenso, temos que encarar o banho. Infelizmente não tem como pular essa parte, a gente fica imunda por causa dos animais, principalmente dos filhotes. Eles fazem uma zona,é só se aproximar que todos pulam em você querendo brincar. Uma brincadeira que tem que tomar cuidado, mesmo eles tendo até seis meses de idade, a mordida deixa um bonito roxo na pele.

Hoje é o meu dia livre, reservado para ver o Brasil, mas mesmo assim estou sem tempo para escrever, logo vou sair daqui para começar a função de ir para o estádio. Espero poder dar mais detalhes na minha próxima postagem de mais uma experiência inesquecível. Acordar e dar de cara com zebras, girafas e antilopes em frente aos seu “quarto”, dar mamadeira para os filhotes de leões, e ter liberdade de brincar e cuidar deles é sensacional. Aí vai um aperitivo de imagens para ver a beleza desses animais.


Toby - o mais novo filhote de leão branco




Turistas alimentam as girafas

Peddy - fêmea grávida de onze meses

Tenda - acomodações para funcionários e turistas

Vista do quarto





O mais brincalhão dos filhotes

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A estréia do Brasil na Copa

Jogo macado para as oito e meia da noite, horário de Joanesburgo. Começo a me arrumar à uma hora da tarde. Um frio de doer. Coloco uma blusa de algodão, um casaco, mais um moleton do Brasil, e por fim um casaco para embarreirar o vento e meu cachecol verde e amarelo. Com uma meia-calça de lã, mais duas meias soquete e uma calça jeans, começo a espalhar pelas minhas roupas dinheiro, chave, passaporte(até hoje não tirei uma cópia), câmera e manteiga de cacau(não fico sem ela). Fico pronta e sem respirar de tanta roupa. Saio de casa às duas da tarde, de táxi, lógico, já com ansiedade para chegar logo em Sandton para encontrar com o pessoal. Depois de trinta minutos sem trânsito, estou na Mandela Square. Lotada. Só dava Brasil.

Achei as meninas, mas desencontramos de um outro pessoal que elas tinham combinado de ir junto para o Estádio. Não tem problema. Pergunta para um, para outro e conseguimos achar uma galera que estava procurando como ir. Fomos descobrir de onde estavam partindo os ônibus da FIFA. Foi fácil. Entramos no ônibus e deu vontade de não sair dali nunca mais...estava quente. Ficamos no “fundão” com mexicanos e australianos que estavam na torcida pelo Brasil. No trajeto, batuque no ônibus saindo de um percussão tocada por um típico baiano.

Pegamos trânsito, o que era esperado. Depois de uma hora chegamos no Estádio de Ellis Park. Sem confusão, entramos tranquilas. Ficamos fazendo nossa festa de pré-jogo no corredor, e só aumentava o número de pessoas pulando, cantando e dançando. Nem acreditava que estava ali. Minha primeira Copa, como se fosse meu primeiro jogo do Brasil, pois o que eu assisti para mim não valeu, e ainda na África. Estava muito feliz.

Oito e quinze da noite, hora de acabar a festa e ir procurar os lugares, que foram ótimos por sinal. Fiquei parada olhando o estádio, estava bastante cheio. Começa o jogo e o coração dispara. O primeiro tempo não foi muito emocionante, mas o segundo foi bem melhor. Não precisávamos ter tomado aquele gol da Coréia do Norte, porém era a estréia. As vuvuzelas não pararam um minuto, e no final nem dava mais para notá-las, parece que elas incorporam em você.

Para mim passou tudo tão rápido que hoje acabei revendo alguns lances do jogo. Fiquei meio desnorteada, não querendo perder um minuto – por um segundo não perco o primeiro gol. Estava levantando para ir ao banheiro quando ouvi “gooool”, admito que nem vi direito. Depois dessa não tirei meus pés de lá, só mesmo para comemorar o segundo gol.

Achei sensacional a organização. Fora o trânsito, o que já era previsto, tudo estava muito bem planejado. Banheiro sem fila, para comprar comida e bebida também, a entrada e a saída do estádio foram sem tumulto, e não ouvi até agora nenhuma reclamação, bom, em relação ao que comer só tem cachorro-quente ou biltong – aperitivo tradicional da África do Sul e que é parecido com uma carne seca, mas tá valento. Mesmo que muitas coisas prometidas não ficaram prontas, a África me surpreendeu e está de parabéns, fora que os lugares públicos para assistir aos jogos ficam super animados. Final de semana fui num Fan Park, em Pretoria, e a noite fui para o Melrose Arch ver Inglaterra x EUA. A atmosfera estava maravilhosa. Agora só falta repetir a dose no dia 20 e ver o Brasil dar uma goleada na Costa do Marfim. Jogo difícil, mas como o futebol é sempre cheio de supresas, não fica impossível. Logo tem BAFANA,BAFANA...vamos torcer!

 
Antes do jogo começar


Torcedores na disposição - melhor roupa para se aquecer
Africanas torcendo para o Brasil

A festa pré-jogo

Mais africanos torcendo para a Seleção Brasileira

O Jogo



Brasileiro comemora a vitória

terça-feira, 15 de junho de 2010

Crianças do Mundo

Minha vida aqui não gira somente em torno da Copa do Mundo. Comecei a fazer um trabalho voluntário numa organização que atende crianças vulneráveis socialmente, sejam elas orfãs, portadoras do vírus HIV ou casos em que os pais não podem cuidar – todas filhas da pobreza.

Como já mencionado antes, a África do Sul carrega milhões de pessoas vivendo com o vírus, os números estão caindo, mas ainda continuam assustadores. Segundo informações da UNICEF, aproximandamente 1 milhão e 100 bebês nascem por ano, sendo que 300 mil estão expostos ao vírus HIV - principal causa de mortalidade infantil entre crianças até cinco anos de idade, e como não bastasse, atinge também a 20% da mortalidade materna do país.

Além de nascerem sem um amparo, essas crianças vem ao mundo já aprendendo a lidar contra a morte. Graças à Ciência, em constante busca pela cura, elas conseguem viver em comum com a sociedade. Dos inúmeros incômodos que tenho, este é o principal. Como um ser tão pequeno e indefeso já entra no mundo com tantas questões para lidar, tendo que descobrir formas para sobreviver nesse meio selvagem, que não é como a natureza manda, mas como nós seres humanos o transformamos?

Escrevi um texto sobre a infância para o relatório anual da instituição que trabalhei no Brasil. Num parágrafo, coloquei assim: “(...) as crianças nos mostram suas vivências e muitas vezes nos dizem por onde ir. No mundo de hoje, vulneráveis pelo reflexo da violência e pobreza, elas nos revelam que o tempo de ser criança mudou. Mas, para nós, mesmo encarando e lidando com a realidade atual, queremos dar a elas o prazer e o direito de ser criança.” Completo agora com: prazeres e direitos estes que estão perdidos na complexidade dos governantes e nos egos das pessoas.

O mundo não é de todo ruim, mesmo na pobreza há beleza, como o esforço para viver, a esperança para melhorar a qualidade de vida e a alegria que se tira de não sei de onde no meio de tanta baderna. Conheci uma mulher que deu à luz a sua filha no meio do ônibus e do trânsito do Rio de Janeiro. Se eu não me engano, a recém-nascida tem mais sete irmãos, sendo que a diferença do penúltimo para ela é de 10 meses. A família vive em péssimas condições de moradia. Sem o mínimo de amparo, nasceu numa situação precária, mas na última vez que a vi expressava uma fortaleza dentro de si. Aí está uma outra beleza.

Um fato ainda mais recente e que mexeu comigo é que em apenas uma semana no meu atual “trabalho”, mais um bebê prematuro, desnutrido e sem condições da mãe cuidar, chegou na instituição. Tem mais dois bebês em situações parecidas, um deles foi encontrado numa sacola, e por um milagre sobreviveu.

São essas algumas das infinitas histórias que vemos em nosso mundo, abaixo dos nossos olhos. Aliás...quando você fecha os olhos, qual é a imagem que tem de uma criança? Sorridente, chorando gritando, brincando, dormindo, brigando, correndo ou num canto em silêncio? Na praia, na escola, no parque, na praça, no circo, na rua, no sinal ou na favela? Comendo brigadeiro, se lambuzando com sorvete, não querendo comer ou sem nada para comer? Ela é importante para você? Talvez a coisa mais preciosa do mundo, não é mesmo? Pode ser que para outros seja uma criança qualquer, mas será que existe uma criança “qualquer” ?

Quando fecho os meus olhos vem um filme de imagens delas. Às vezes é a criança que tenho como a mais especial, ou a que nasceu no meio do ônibus, a encontrada numa sacola, muitas eu nem as conheço, mas o que sinto é que elas são tão importantes para mim, como sou para elas, como nós somos. Elas estão em todos lugares, feios e bonitos, mas o melhor é vê-las no futuro. Crianças da América, África, Ásia...em qualquer parte elas tem o direito de sentir o prazer de viver uma boa infância, não importa como, mas tem que ser prazerosa. Gostaria só de que ao abrir os meus olhos poderia ver isso já realizado, mas como para esse meu desejo não basta um click, vou fazer de tudo o que está ao meu alcance para percorrer este longo trajeto. Chegaremos lá.

Crianças da África - como no Brasil, o futebol também mexe com todas as idades


P.S.:Minha vida não é só Copa, mas hoje tem Brasil. Próxima postagem com certeza será sobre a emoção de ver a nossa seleção numa Copa do Mundo.Até mais!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

África do Sul x México em casa

Por culpa da minha falta de planejamento fiquei em casa para ver a abertura e o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2010. Na quinta não dei muita bola, estava num outro ritmo, achando que poderia decidir na hora o que fazer, e hoje acordei querendo ir para Sandton assistir no FIFA Fan Fest. Resolvi tarde demais. Transporte para cá não existe, estou a 30 km de lá e o que passa por aqui são só vans, um pouco arriscado de pegar, e mesmo se fosse seguro, teria que andar uns 40 minutos até o ponto. Não era impossível, mas haja disposição.

O Matt foi para o trabalho; a Tessa, uma das meninas que mora na casa ao lado da minha, não dá a mínima para futebol. As amigas foram se encontrar no local que eu queria ir, mas ela não quis. Se ela tivesse ido, poderia estar lá agora. Como pode? Até perguntei isso para ela, e a resposta foi a seguinte: "é, eu sei, mas hoje não estou com vontade; bom, pelo menos vou segurar a bandeja de medalhas na final da Copa do Mundo". Pelo menos com isso ela vibrou um pouco. E eu pensei: bom, hoje não estou lá, mas terça irei ver o Brasil x Coréia do Norte ao vivo, a cores e de perto.

Durante os primeiros 20 minutos de jogo fiquei inquieta, louca para estar no meio do povão. Depois lembrei que já fazia um tempo que não escrevia para o blog, então, resolvi relaxar e colocar nas linhas como está sendo o meu primeiro dia de Copa. Nada muito empolgante, não é? Culpa toda minha. Com certeza o segundo jogo de hoje, França x Uruguai, vou assistir com mais gente ao meu redor, inclusive um autêntico francês. Agora quem me acompanha é o Pluto, um dogue-alemão lindo e super doce que adora um cafuné.

Continuo assistindo ao jogo, e que para a infelicidade dos sul-africanos e minha também, não está muito empolgante. É arriscado eu comentar alguma coisa, pois posso fazer um erro gritante, mas vou tentar. Na minha percepção vejo que o México está dominando o jogo e a África do Sul já está com vários erros de passes. Será que estou certa? Vou conferir no site da FIFA.

Conferi e acertei. Logo depois desse meu comentário o México fez um gol, mas foi dado como impedimento. Ufa! Vou dar mais atenção ao jogo e torcer como uma autêntica Bafana Bafana. Chegou o intervalo, e já vesti meu casaco da seleção sul-africana para dar mais sorte no segundo tempo...LET’S GO AFRICA!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Falando em Copa...

Sexta-feira foi dia de ver a Seleção do Brasil mais de perto, quer dizer, não tão perto assim, já que em volta tinha uns 250 jornalistas, operadores de câmeras, fotógrafos, assessores de imprensa de todo o mundo, dificuldando o meu lado. Isso para ver um treino. Um dia antes o público teve acesso para assistir os jogadores treinando em Soweto. Imagina, o estádio deve ter tremido de tanta vibração. Infelizmente não estava lá.

Ter acesso aonde somente as grandes mídias são autorizadas a entrar, dá uma sensação de ser uma intrusa. Primeiro passei pelo hotel que os jogadores estão hospedados. Fica num Golf Club, um lugar lindo com um gramado impecável. A Rede Globo está com um escritório enorme e uma estrutura super moderna no mesmo local. Coisa para peixe muito grande. Os jogadores que não devem ficar muito satisfeitos, é um relação de amor e ódio que tem que buscar o equilíbrio o tempo todo.

Perto do local de hospedagem, uns cinco minutos de carro e sem trânsito, está a escola aonde eles treinam, bom para os estudantes que ainda estão em aula e podem dar uma espiada na hora que quiserem. Assisti por uma hora, e como não foi um treino coletivo, ou seja, sem jogo, ficou um pouco sem graça. Fui embora antes de acabar e fiquei esperando em Sandton City, praticamente minha segunda casa, para fazer um happy hour com o pessoal do trabalho do Matt.

Em Sandton já pude perceber que o clima de Copa do Mundo está aumentando, e cresce o número de camisas de seleções nas ruas, para não dizer nos shoppings. Sexta-feira é o dia oficial de vestir o time. Isso vem acontecendo há mais de um mês, e na verdade essa foi a última sexta-feira, já que agora não há mais dias e também não só se vê o amarelo dos Bafanas, seleção da África do Sul, mas uma mistura de cores de todos os países. O México está forte aqui; o Brasil é visto em muitos que não são brasileiros, e se mescla entre a cor da camisa do país sede. Esbarrei por um ou outro falando o nosso português, mas ainda estamos tímidos.

Apesar da cidade ser grande, três pontos são os principais destinos de entretenimento: Sandton, Melrose Arch e o Montecassino. Este último é um lugar que tenta fazer um estilo Las Vegas em versão mini, e posso dizer que o adjetivo mais adequado é brega. O New York City Center, um complexo de lojas, cinema e restaurantes do Rio de Janeiro, nem chega aos pés com a Estátua da Liberdade erguida na entrada. Como temos que variar de um lugar para o outro, sábado fui com o Matt e mais uns amigo para lá. Finalmente eles ganharam algum dinheiro, e na fila para pegar a grana estava também o ex-jogdor Edmundo, trocando suas fichas por alguns rand – moeda da África do Sul. Não é difícil encontrá-los por aqui.

Ontem, domingo, não vi televisão e nem abri os jornais, mas hoje, logo que acordei, veio a notícia que o amistoso entre Coréia do Norte e Nigéria causou tumulto na entrada do estádio Makhulong, no subúrbio de Joanesburgo. Sem ingresso, torcedores arrombaram os portões, entrando em confronto com a polícia que não conseguiu contê-los. Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas, segundo informações locais. Tão perto do dia e um fato desastroso, ainda mais com a mídia aproveitando para dar foco aos números alarmantes da violência do país. Uma imagem suja há menos de uma semana para a abertura. Lamento o acontecimento, e espero que durante a Copa tudo seja em clima de respeito e bom senso.

Entre notícias boas e ruins, em relação à Copa ou não, o país vai receber por volta de 300 mil visitantes de todo os cantos nos próximos dias, e a África merece uma Copa do Mundo de paz. Vamos cruzar os dedos para que isso aconteça.


Treino da Seleção do Brasil

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os sons da Copa

Cada dia estou aprendendo e me deixando envolver mais com o futebol. Não é para menos, estou praticamente convivendo apenas com homens que respiram o esporte. Além de trabalharem com isso, a conversa gira o tempo todo em torno das novidades dos times, dos jogos, das classificações, dos treinos e por aí vai. Não é só das seleções da Copa que eles conversam, mas é do futebol até da “Conchichina”. Ou você fica maluca, ou tenta absorver e aproveitar ao máximo daquele papo.

Escolhi a segunda opção. Além de ouvir sobre os times e campeonatos, ouço também dos patrocinadores, dos uniformes, dos eventos em torno da Copa do Mundo e ainda das campanhas publicitárias, o que mais me atrai, e como já citado, me fazem arrepiar. Acho realmente incrível a capacidade de criação desse povo e como eles conseguem atingir o ápice de uma certa música fixar no seu cérebro. Hoje estou o dia inteiro cantando “...oooooooooooooh woooooooooohh hohoho...give you freedom, give you fire, give you reason, take you higher...”. Não sei a letra toda, mas essa parte não sai da minha cabeça, e toda vez que eu canto, me traz sensações boas. É uma campanha da Coca-Cola para a Copa de 2010, cantada oficialmente pelo artista K'naan, nascido na Somália, mas com residência no Canadá. Se não me engano, acho que no Brasil é pelo Skank.

Sábado ouvi a música oficial da FIFA, Waka Waka (This Time for Africa), cantada pela Shakira. Final de semana foi a vez dela, e hoje mudei de ritmo. Acho que daqui a pouco não vai ser nem uma, nem outra, apenas o som das vuvuzelas se instalará nos meus ouvidos, ou quem sabe “...sou, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...”, essa é uma verdadeira praga para mim.