terça-feira, 29 de junho de 2010

O Brasil, eu e minhas mudanças

Agora é tudo ou nada. O Brasil ontem fez um bom jogo e o clima de Copa do Mundo chegou para valer. Mais três jogos e seremos campeões. O caminho está tranquilo, apesar de que o próximo duelo promete ser bem apertado. No estádio a minha vibração também mudou. A cada gol comemorei muito mais do que nos outros, e o bom é que fiquei no meio só de brasileiros, inclusive do tenista Guga. No jogo contra Costa do Marfim estava rodeada dos meus “opositores” e a torcida não estava muito animada.

Esse foi o único jogo que compramos ingressos antecipadamente, mas ganhamos dois, e por isso vendemos na porta por míseros seiscentos e cinquenta rand, equivalente a menos de cem reais cada. Só que fiquei feliz, pois deixou um africano extremamente radiante de alegria. Ele só tinha exatos duzentos e cinquenta na carteira, e ao lado tinha uma homem que pagaria o total que estávamos pedindo. Mas senti que o primeiro merecia e resolvi aceitar menos. Acho que ele ligou para a família inteira contando o grande negócio do ano dele, não deu para entender o dialeto africano, mas pelo tom da voz dava para ver que nem ele acreditava, toda hora que olhava para a gente agradecia com um sorriso estampado no rosto. Fiquei bem em saber que fiz a escolha certa...sou coração mole, eu sei.

Bom também foi parar antes de entrar no estádio no pub California, que para minha surpresa dava para a rua e não estava no meio de shoppings como usualmente é por aqui. Churrasco na brasa e um bom pão com salsicha, mas que para mim tinha mais gosto da nossa linguiça. Depois do jogo fomos num bar estilo brasileiro, do mesmo dono do botequim Informal, do Rio de Janeiro, segundo fontes amigas. Nem estava com muita fome, mas não resisti a umas colheradas do caldinho de feijão para matar a saudade.

Aliás, nestes últimos dias minha alimentação anda péssima, estou tendo que comer coisas que normalmente não comeria...hamburguer, cachorro quente, pasta, pasta, pasta e por aí vai, mas a partir de hoje acho que irá melhorar. Soube ontem que vamos ter que mudar para uma outra casa, mais central e parece que tem tudo do bom e do melhor, como se fosse um hotel. Feliz por um lado porque depois de dias passando frio e comendo mal (até parece que sofri), vou entrar no maior conforto; e triste por outro, por estar deixando o lado tranquilo e “country” de Joanesburgo. Acho que não cheguei a comentar, mas a casa que estou até agora fica num rancho com cavalos, cachorros, uma bela paisagem e uma paz permanente. Também não me lembro se relatei que estou um pouco em função do trabalho do Matt, então, para onde ele for, vou atrás. O período que fiquei no Lions Park, ele estava em Pretoria, praticamente incubado num lugar, trabalhando 24 horas por dia, mas felizmente acabou e vamos poder curtir a Copa mais relaxados e juntos.

O segundo fato pela tristeza é que não sei mais se vou ter como continuar o trabalho com as crianças, já que não tenho carro e vou ficar quilômetros de distância daqui. Mais uma vez me deparo com o problema do transporte, embora vou procurar não pensar muito nisso. Infelizmente não consigo dar conta de tudo, mas vou tentar ir pelo menos mais algumas vezes lá, inclusive para me despedir delas. Por fim, o último fato é ter que empacotar tudo, roupas, sapatos, presentes e livros nas minhas duas malas e uma mochila que não cabe nem mais um alfinete. Não estou com a menor vontade, acho que vou arrumar umas caixas de papelão e jogar tudo lá dentro. Preguiça só de pensar.

Mudanças de planos e ter que resolver as coisas em cima da hora está sendo uma coisa comum na minha vida. Desde a viagem pela Ásia, que fomos somente sabendo os países que queríamos ir e mais nada, até aqui que as coisas foram simplesmente acontecendo e eu tendo que me enquadrar a elas. Vejo isso por um lado positivo, aprendendo ainda mais a me adaptar ao famoso novo, que tanto adoro. Minha passagem de volta está marcada para o dia 20 de julho, a do Matt, cinco dias antes. Ainda não tenho certeza do que quero fazer, lógico que tenho alguns planos para até lá e para depois, mas eles podem mudar, como já é de praxe, então, vou montando meu quebra-cabeça com calma, aí as peças vão se encaixar mais uma vez, e no fim, tudo dá certo, se não der, paciência...a vida é assim.

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