Há quatro ano atrás passou uma reportagem no Fantástico sobre a próxima Copa e quanto precisaria juntar para conseguir ir para a África do Sul e sentir o gostinho de ver o campeonato de perto. Confesso que não sou louca por futebol, acompanho e consigo ter uma noção do que está acontecendo com os times no Brasil, enfim, as principais notícias eu dou conta, mas como todo brasileiro, fico insana numa Copa do Mundo....grito, xingo, choro.
Juntei a Copa e o sonho desde criança de conhecer a África. Louca por animais, nunca tirei da cabeça fazer um safari e ver aqueles bichos incríveis bem de perto e livres na natureza. Brinquei com os meus pais que então abriria uma poupança, e assim foi feito. Durante quatro anos muitas coisas aconteceram. O desejo amadureceu e a vontade passou também de ficar por mais tempo, com calma, para conhecer o povo e o estilo de vida dos africanos. Tinha que optar por qual país, ainda mais sendo tão diferentes um do outro. Independente da Copa do Mundo, Angola, Moçambique e África do Sul eram os meus focos. Por uma feliz coincidência ou destino, surgiu uma oportunidade para o Matt, meu namorado, de trabalhar em Joanesburgo por três meses em função da Copa do Mundo. Perfeito. Não poderia deixar de ir. Fiz a escolha de sair do trabalho e ter essa experiência num país do continente africano.
Coloquei pela primeira vez o pé na África no dia 28 de abril de 2010. Cheguei pela Cidade do Cabo, simplesmente maravilhosa. Essa época a temperatura já começa a cair, o que foi um impacto para mim sair de um calor infernal e deparar com 10ºC e um vento de doer. Só que eu estava na África do Sul e para mim nada mais importava. Os dias estavam deslumbrantes, a vegetação muito verde, o céu sem nenhuma núvem, o mar azul e aquele sol de inverno que eu adoro. A Cidade do Cabo lembra o Rio de Janeiro. Praia, o verde e dias lindos. O que percebi é que parece ser mais organizada, as ruas sem buracos, sinalizadas e limpas. Foram cinco dias perfeitos e não deu para cansar de admirar a paisagem.
Logo na primeira noite fui assistir a final do Campeonato Mundial de Futebol Freestyle, e já deu para sentir uma prévia da torcida da Copa. Sem dúvida o futebol é um esporte que colabora para as pessoas se socializarem. Na Ásia por onde andei, volta e meia via crianças, jovens e adultos com uma bola no pé ou alguém citava os nomes dos nossos famosos jogadores - isso é clássico em todo o mundo. Só falar que você é do Brasil que os olhos arregalam e brilham e aí vem....Ronaldo, Ronaldinho, Pelé, Kaká. Mesmo já sendo banal, o orgulho vem como um reflexo e você se vê apaixonada pelo esporte. O Brasil foi representado no campeonato de futebol freestyle pelo carioca Arthur Mansilla, atual campeão brasileiro. As bandeirinhas verdes e amarelas se espalhavam também pela torcida, mas a final foi disputada entre um sul africano e um norueguês. A torcida vibrava tanto que nem dava mais para sentir o frio que estava e só se ouvia as batidas dos pés na arquibancada e as vuvuzelas, o que não poderia faltar. Imaginei como eles vão se sair num jogo da Copa.
Em uma semana na Cidade do Cabo tive dois dias envolvida com esportes. O rugby é o mais popular entre os brancos na África do Sul, junto com o críquete, também muito praticado aqui pelos indianos. O futebol é o número 1 do país, principalmente entre os negros. O rugby fez a sua história aqui, e com a mente brilhante de Nelson Mandela conseguiu unir as duas raças numa mesma torcida em 1995. Em resumo, Mandela, na época presidente da África do Sul, utilizou do esporte para conquistar os brancos e fez com que os negros o seguissem com a mesma forma de pensamento. Uma de suas memoráveis citações marcou este fato: se quiser fazer as pazes com o seu inimigo, você tem que trabalhar com ele. Daí, ele se torna seu parceiro (Nelson Mandela).
Foi a primeira vez que a seleção da África do Sul, apelidada de Springbok, levou o título de Campeã Mundial. O país inteiro foi levado pela emoção da vitória, ainda mais sobre a melhor seleção do mundo, os All Blacks, da Nova Zelândia. Quem viu o filme Invictus sabe melhor do que estou falando. Assisti ao filme antes de ir num jogo super importante entre o Stormers, da África do Sul, e o Crusaders, da Nova Zelândia. O estádio estava lotado e o Stomers ganhou numa partida disputada e emocionante. Na torcida se via alguns negros, porém, os torcedores ainda sim em sua maioria eram brancos.
Hoje todos os povos têm os mesmos direitos. De fato no país ainda há numa certa separação entre a população, consequência do Apartheid – política de segregação racial adotada em 1948 na África do Sul e abolida em 1990, segundo os brancos detinham o poder sobre outras etnias, como negros e asiáticos. O preconceito se instala também entre os negros sul africanos sobre os negros imigrantes de Moçambique e do Zimbábue, dois países sofridos por crises políticas e econômicas.
É tanta diversidade que nas ruas da África do Sul você pode ouvir onze línguas oficiais do país, sendo nove dialetos africanos, o inglês e o afrikaner, além das línguas estrangeiras, só que hoje todos se entendem e a mais falada é a do futebol, o esporte que mais une as pessoas no mundo.
Irado Raquel!!!!
ResponderExcluirFico muito feliz em compartilhar mesmo de longe dessas emoções tão únicas de estar em território africano e se deliciar da luta do Brasil pelo exa e cá entre nós, É NOSSO!!!!!
Beijo enorme pra você e Matt!!
à bientôt
OI Quelzinha!que aventura hem!
ResponderExcluirFico feliz e emocionada de ver vc realizar seu sonho de conhecer o mundo e outras culturas de perto.Estamos todos acompanhando.
Hoje,sexta-feira estou em Cataguases com sua mae.
Beijos pra vc e Matt!
Elza.
Oi Quelzinha.....
ResponderExcluirtô aqui na sua casa!!! Saudades!!!
bjao,
Beatriz
Querida Raquel,que blog maravilhoso! Aproveite bastante essa viagem tão sonhada!
ResponderExcluirGrande beijo,