Não sei por que fui escrever num dos emails trocados com as meninas que embarcaram nessa viagem para o Sudeste Asiático, que perrengue faz parte. Acontece que eu nunca pensei que começaria tão cedo, antes mesmo de chegar no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro. Sexta-feira, 19 de março de 2010, voo às 20:20 horas. Lógico que teria o trânsito típico de sexta-feira, porém, mais do que isso, a linha vermelha, uma das maiores vias que liga a zona sul ao aeroporto, estava em obras, e não mais, havia uma carreta tombada na Avenida Brasil, que veio a refletir em praticamente toda a cidade. Menos mal que não estava chovendo. Se estivesse, não estaria agora aqui contando essa minha primeira aventura, já com perrengue, é claro.
Peguei um táxi aos prantos após despedir da minha mãe. Taxista bacana, carro tranquilo e lá vamos nós já de cara com um paredão de carros na Lagoa. Já era previsto, mas o negócio é que estava ficando desesperador ao ouvir as notas de trânsito nas rádios informando que estava tudo parado, atípico mesmo sendo sexta-feira. Continuei tranquila com uma margem de meia hora de atraso, tendo ainda tempo de fazer o check in, mas o taxista ficou aflito por mim, e então brinquei que pegaria um moto táxi. Ele simplesmente achou a minha idéia genial. Eu não levei fé, mas ele me convenceu. Pensei nos pontos que eu conhecia graças à minha amiga Mônica, do meu último trabalho, que utilizava esse meio de transporte para Santa Teresa. Será que seria melhor Rio Comprido ou Laranjeiras? Na boca do túnel Rebouças, o taxista lembrou do Morro dos Tabajaras, em Copacabana. E foi pra lá que fomos. Fiquei aliviada que ele era de lá e parecia se preocupar com a minha segurança. Ligou até para o filho que conhecia um motoboy para tentar fechar com ele, porém não deu certo. Chegando no Tabajaras, o cara que gerencia o ponto foi super receptivo e me assegurou que me colocaria com um motorista tranquilo. Um deles achou muito longe e ignorou a minha imploração. Foi até bom porque achei o que me levou mais seguro e a moto estava bem mais nova. Falo que nem pular de bungee jump, asa delta ou algo parecido é mais aventureiro e arriscado do que se entrelaçar no meio de motoristas estressados dentro de uma metrópole....loucura, loucura, loucura. Coloquei minha mala que vira mochila nas costas, e na frente foi uma mochila menor com o motorista. Nem pensei no meu notebook, comprado recentemente, nem nos dólares meus e da minha amiga, nem mesmo nos cartões de crédito, só pensava em como não cair da moto com 14 Kg na minha lombar. Um ponto: essas coisas se negociam antes, portanto foi fechado em R$40,00, mas o taxista me falou para dar um agrado depois. Tudo bem.
Nos corredores entre os carros, só chamava Nossa Senhora e Deus, e pedia o tempo todo para o motorista sair buzinando. Adrenalina pura em quase 40 minutos de tráfego intenso. Quando lembro me dá frio na barriga e só penso nos riscos. Claro que eu tentei ignorar ao máximo a possibilidade de ser roubada ou coisa pior, confiei primeiro no meu instinto, depois no taxista, depois no moto táxi e o tempo todo em Deus....como chamei ELE aquele dia. No caminho vinha flashs de notícias ruins, tragédias...fiquei imaginando a próxima edição do jornal O GLOBO – De um sonho a um final infeliz – tudo bem que isso está mais para uma manchete do Extra ou O Dia, mas é que eu só pensava em coisas muito ruins. Aí lembrei do livro O Segredo e comecei a transmitir pensamentos positivos.
Como esses perrengues nunca acontecem comigo, pensei que aquele era o dia do início de vários, e seria um desafio saber resolver e levar da melhor forma possível. Ao acabar de pensar nisso, veio uma fumaça de poluição no meu rosto, me asfixiando e me deixando com uma camada cinza. Xinguei tanto, mas não tirei os olhos da rua, das setas dos carros, das outras motos, e o tempo todo conversando com a única pessoa que poderia me salvar para não perder o vôo. Os assuntos não foram muitos, só mesmo em torno do medo que eu estava, de já antes mesmo da viagem ter uma história para contar, e claro, controladora como toda ariana, ia dando as minhas direções por onde era melhor ir na tentativa de descontrair. No meio disso tudo, ainda fomos parados em duas blitz, o que quase pensei que era um sinal para não viajar. Logo na primeira, antes do policial pedir os documentos, já fui perguntando se estava tudo em dia. Estava.
Às sete horas em ponto cheguei no aeroporto com poeira no rosto, cabelo amassado de um capacete que passou por muitas cabeças que não conheço, meus dedos das mãos dormentes de tanto segurar firme – após dias um deles ainda permaneceu dormente - mas feliz da vida de ter chegado, um pouco tonta, mas salva e dentro do horário para pegar o voo rumo ao início de uma incrível viagem.
Conclusão? Não tenho. Mas só sei que tirei essa coragem de não sei também de onde, segui meus instintos, rezei muito, relaxei, pensei que tudo ia dar certo, agradeci muito, inclusive por ter esbarrado com essas duas pessoas que me ajudaram a chegar na hora para dar o start de um dos meus sonhos, e com certeza, valeu todo o perrengue.

"Como esses perrengues nunca acontecem comigo..." De fato!
ResponderExcluirEsse é o tipo de perrengue que aconteceria comigo! rsrsrs
Amiga, não fazia idéia dessa história, no maior estilo: depois que passa a gente ri!
Mas valeu a pena, certo????
Mta vontade de estar ai com vc!
Se cuida!
Bjs
No creooo!!! hahaha Essa foi realmente uma "viagem-perrengue" no início ao fim!
ResponderExcluirFico só imaginando você de capacete na cabeça, mochilão nas costas e gritando no meio dos carros!!
Adorei! (agora, claro!)
Nossa, confesso que fiquei até sem fôlego!
ResponderExcluirFico só imaginando se fosse eu, acho que teria infartado em cima daquela moto! hahaha
Bom, mas como eu sempre digo, no final tudo dá certo! rs
Adrenalina total!!
Bjos e se cuida.
Finalmente o blog entrou no ar!! Eu também não sou muito familiarizada com esse tipo de tecnologia não...na verdade esse é o primeiro blog que eu leio. hehe, me senti muito velha agora. Quel, eu morri de rir com essa história da moto( já que eu sabia que vc estava sã e salva escrevendo essa mensagem).
ResponderExcluirMuitas saudades, amiga!!!
Boa Copa!!! Já estou entrando no clima!!
Beijão!
Pois é...foi uma aventura e tanto!!!Eu morro de rir quando eu lembro também. Foi surreal!!!
ResponderExcluirFui ficando até com falta de ar enquanto lia sobre essa sua ida maluca pro aeroporto...Fico pensando que se eu tivesse ido com você naquele 19 de marçó,você realmente teria perdido o avião pois nãoiria deixar que você fizesse essa loucura!
ResponderExcluirAinda bem que deu tudo certo.
Graças a Deus!