Acordei querendo falar de coisas boas. Motivada pelas músicas e vídeos em torno da Copa do Mundo, repeti inúmeras vezes...estou na África, estou na África, estou na África. Lidando ainda com as dificuldades de Joanesburgo e de firmar algum tipo de rotina aqui, resolvi esquecer esses aspectos não muito positivos da cidade e me deixar levar pelos temas de campanhas publicitárias. Tenho que agradecer à Coca-Cola e à FIFA por me fazerem arrepiar e sentir a vibração que a Copa do Mundo está prestes a começar. Não estou aqui em prol de nenhuma marca, mas é uma prova da potência do marketing, isso não posso negar.
Em torno das sensações, me peguei com flashs de imagens do Kruger Park, o maior parque nacional da África do Sul - 19.633 km² de um santuário ecológico. Um sonho de criança realizado semana passada, e que me custou 36 horas sem dormir.
Reservamos o ônibus para sexta-feira às dez da noite. Na verdade o Matt que planejou a viagem, e eu nem precisei me preocupar com nada. Marcamos com o Dixon, um motorista de táxi, imigrante do Congo e super confiável, para levar a gente de Sandton até a rodoviária. Saí de casa umas duas horas da tarde, pois antes quis visitar um orfanato, só não imaginava que era tão longe. O táximetro me custou ao todo oitocentos rains, equivalente a duzentos reais. Uma facada no peito inesperada. Não tinha esse dinheiro no bolso e fiz o taxista me acompanhar até um caixa eletrônico, no Sandton City. Era a primeira vez que ele colocava os pés ali e não parou de repetir isso até ir embora. Paguei o que devia e fiquei zanzando pelo shopping. Era uma seis horas da tarde, as lojas já estavam fechando as portas, e sem nada para fazer, fiquei perambulando mais um pouco até o Matt chegar.
Não sabia o que esperar de uma rodoviária de Joanesburgo. Apesar da cidade ser bastante desenvolvida, coisas sem explicações podem ser encontradas por aqui, por exemplo, semáforos e postes de luz de avenidas importantes e movimentas não funcionam à noite, sendo o horário mais perigoso. Existem algumas desculpas para tentar justificar, mas nada convincentes, por isso, sempre quando ando por aqui, não sei bem como vai ser.
Olhando por fora achei a rodoviária um pouco suspeita, estava escuro e sem movimento nas ruas. Quando entrei, suspirei de alívio. Não é nenhum luxo, mas pelo menos é iluminada. A princípio éramos dois de quatro brancos esperando o ônibus, mais tarde chegaram quatro meninas, todos nós, turistas estrangeiros. Fomos o foco de atenção para muitos. Como na Ásia algumas vezes tiraram fotos de nós, aqui também somos vistos diferentes, ainda mais em lugares pouco frequentados por brancos. Estava rezando para o ônibus ser confortável e as estradas boas. Tudo certo, só que com um porém, os assentos não são reservados, e isso não tinha sido avisado para nós. Foi outro pedido para conseguir sentar com o Matt, que a princípio não foi atendido, mas depois de um tempo uma mulher moçambicana cedeu seu lugar para mim. Demos sorte de não termos sido os últimos a entrar na fila, por pouco ficamos sem viajar.
As quatro meninas e mais dois indianos tiveram que ficar, não havia assento para todo mundo. Fiquei sem entender. Estavam todos os lugares ocupados, restando apenas um. Foi um entra e sai de funcionários da companhia de ônibus que fiquei confusa. Depois de muito tempo eles pediram para três pessoas saírem do ônibus, as meninas entraram e os indianos ficaram de fora. Não sei o que deu, que elas tiveram que sair do veículo, sendo impedidas de embarcar, mesmo havendo esses quatro lugares vazios. No portão de saída da rodoviária, aquelas mesmas pessoas que foram retiradas, entraram novamente no ônibus. Com certeza estavam sem passagem, mas foi dada a preferência para elas. Vai entender.
Durante o trajeto fomos parados três vezes pela Polícia Rodoviária. Checa bagagem pra cá e pra lá, e depois da terceira vez paramos no meio do nada. Estava sem dormir, doida para chegar e não aguentava mais a lentidão da viagem. O que viria dessa vez? Um dos homens que embarcaram sem a passagem foi chamado por um funcionário da empresa para pegar suas malas e colocar em outro lugar. Isso já era umas três horas da manhã, numa estrada iluminada apenas pela luz da lua. Com certeza havia um esquema de contrabando acontecendo por ali, ainda mais com destino para Moçambique. Ninguém argumentou nada, parecia que aquilo fazia parte da rotina da viagem, e assim continuamos até o final.
O que levaria em torno de três horas de carro, demorou sete horas de ônibus. Estávamos na fronteira com Moçambique. Marcamos com a Jean, guia turística, de nos pegar lá. Descemos do ônibus sem saber direito aonde estávamos e como íamos achá-la. Ela nos encontrou. Passamos rápido no nosso backpackers para deixar as mochilas, jogar uma água no rosto, pegar mais duas pessoas e ir direto para fazer o “Game Driver”, ou safári, no Kruger Park. Esperava ter umas três horas de sono antes de começar o dia, mas não deu. As melhores horas para conseguir ver os animas são ao amanhecer e final da tarde.
Seis e meia da manhã e um frio de congelar, mal entramos no Kruger e já tivemos sorte. Bom, se não estivéssemos com um guia, não nos daríamos conta de que em nossa frente estava a estrela principal do parque, o Duke, um elefante de 55 anos de idade e procurado por muitos amantes de animais. Ele ficou calmo e tranquilo até querer atravessar a estrada. Sacudindo a cabeça e um pouco agressivo, ficou perto de um carro querendo passar. O casal que estava no carro procurou o Duke durante dez anos, e nós o encontramos em vinte minutos.
Após 36 horas ativas, fomos recebidos no backpackers com um delicioso “brai”, o churrasco e orgulho dos sul-africanos. Dormimos cedo, estávamos exaustos e marcamos uma dobradinha de safári para às seis horas da manhã do dia seguinte, queria ver de qualquer jeito um dos grandes felinos.
Durante a manhã conseguimos estar no exato momento em que os cachorros selvagens, mais parecem hienas, procuravam por um presa. São um dos melhores caçadores, mas nós não éramos nada para eles. Menos mal. Um ficou bem próximo, nos encarando, e conseguimos ótimas fotos. Ainda não tínhamos achado os leões, estava quase desistindo quando finalmente conseguimos ver de perto um casal numa preguiça danada. Achei maravilhoso ver a vida selvagem naquela paisagem exuberante, poderia passar semanas observando esses animais, só que já era hora de voltar, tínhamos que pegar o ônibus na fronteira às nove horas da noite.
Dessa vez o David, dono do backpackers, que nos levou até lá. Ficamos esperando no posto da Polícia Federal. Dentro, dá até para sentir segura, mas em volta que é bem estranho, ficam umas pessoas esquisitas vendendo comida e bebida no meio de um breu. Estávamos com medo de não ter lugar no ônibus, já que viria de Maputo, provavelmente lotado. O ônibus chegou com poucos assentos vazios, foi revistado e nós embarcamos. Chegamos em Joanesburgo por volta das três e meia da manhã, quebrados e congelados, e lá estava o Dixon nos esperando.
Depois de um final de semana fora do ritmo de Joanesburgo, que até agora estou tentando me encaixar, a atenção volta para a Copa, e as imagens giram em torno da beleza que é ver a expectativa, a ansiedade e a emoção do povo para o espetáculo do futebol. Com certeza estou contagiada por esse clima.
Kruger Park
Duke



Filha, fico imaginando o que você deve ter sentido ao se deparar com esses animais maravilhosos totalmente livres e tranquilos em seu habitat...Assim como você,também adoro animais e vê-los de pertinho e äo "natural"é uma sensação única!
ResponderExcluirNossa, amiga, que máximo! Experiência única! To feliz por vc estar vivendo coisas tão legais aí! Mas dá um frio na barriga qd leio as partes que vc fala nos perigos e estranhesas daí...Se cuida hein!
ResponderExcluirAmiga que fotos! Estou muito feliz com suas realizações! Vc é danadinha mesmo.As vezes fico igual sua amiga Cassia, muito aflita com suas aventuras mas acompanhar seu blog, seus passeios é quase uma viagem. Como aprendemos tb. Um grande beijo, muitas saudades ...
ResponderExcluirAdoro abrir e ver os comentários!Muitas diferenças, mas com certeza tá valendo a pena tudo!Para mim foi incrível fazer esse safári...isso já valeu por tudo!
ResponderExcluirTo adorando ler tudo isso e, principalmente, ver as fotos. Deve tá sendo uma experiência e tanto!
ResponderExcluirSaudades!
Adorei o Duke, super simpático! hehehe
ResponderExcluirQuel!cNossa eu ando tão cansada que nunca mais entrei no seu blog... Quero ler tudo com calma. Aos poucos leio tudo.
ResponderExcluirADOREI AS FOTOS!!!!
bjos e se cuida!