sexta-feira, 16 de julho de 2010

De mochila nas costas

Me despedi de Joanesburgo quarta-feira às nove horas da manhã fazendo praticamente um tour pela cidade. Com destino para Durban, optei por pegar o Bazbus, um sistema de transporte para turistas, ou melhor, mochileiros. O meu ponto de encontro para pegar o mini ônibus foi o hostel Accoustix @ Grant’s. Levantei às seis da manhã, e meia hora depois estava dentro do táxi batendo queixo e congelada, mas em vinte minutos cheguei ao local. Marcado para às sete e quinze, o motorista atrasou apenas cinco minutos. Acontece que fui a primeira da lista de passageiros e por isso conheci praticamente todos os hostels da cidade, inlusive todos os bairros, e fora o tráfego típico, já nada bom para um início de viagem. Às nove horas da manhã estávamos saindo do ponto final, rumo à Drakensberg Mountains.

No caminho, nem a paisagem deslumbrante me fez ficar acordada. Dormi igual a uma criança. Falando nelas, no meu último dia fui ao orfanato e me deu uma vontade enorme de não largá-las nunca mais.....sempre encontros, desencontros e despedidas pela vida.

Enfim, quando acordei depois de umas duas horas de uma boa soneca, me bateu uma felicidade instantânea. Era exatamente aquilo que eu estava esperando, estar no meio do nada, rodeada de montanhas e pequenas vilas ao longo do percurso. Minha felicidade aumentou  ainda mais quando cheguei ao hostel e vi que o lugar era aconchegante e arrumado. Tinha lido muitos comentários ruins no site Trip Advisor, mas arrisquei por ser o único lugar a ser indicado pelo Bazbus, inclusive um dos pontos de embarque e desembarque. Arrisquei também em optar por ficar no dormitório com pessoas que não conheço, e o pior, dormitório misto, o que quer dizer homens e mulheres juntos. Disso eu não me dei muito bem no primeiro dia.

Quando entrei no quarto veio um cheiro de chulé repentino. Logo pensei na besteira que poderia estar fazendo tentando economizar algum dinheiro. Mesmo assim encarei. Tinha apenas uma cama sobrando, o quarto tinha um diamêtro de aproximadamente 5 m, o banheiro era dentro, o que a princípio achei bom, mas a porta era como uma tábua de madeira e não ocupava todo o espaço que deveria. Menos mal que não havia ninguém quando cheguei, e tive um tempo maior para tentar me adaptar. Pensei logo em tomar banho antes que todo mundo voltasse das trilhas e passeios. Foi o que fiz, e para a minha tristeza, mesmo com as minhas havainas, não deu para impedir a água do chão de tocar os meus pés. O ralo estava um pouco entupido, obstruindo a água de escoar. Achei melhor não ficar olhando para baixo e tomar um banho rápido, já que o banheiro não estava muito limpo. Respirei fundo várias vezes e repeti comigo mesmo que seria apenas por duas noites.

A primeira foi péssima. Fora o chulé, que dei um jeito de ficar respirando um hidratante, uma das meninas tossiu a noite toda, e ainda eu estava rodeada de holandeses...logo eles. A sorte é que na segunda noite o “chulepento” não estava mais, e aí pude respirar normalmente. Mas, como nada é perfeito, faltou água quente no banheiro e fui tomar banho num outro que ora esquentava, ora esfriava. Só achei bom porque não teve a enchente do dia anterior.

Isso tudo compensou com os dois dias em lugares inesquecíveis. Quando uma coisa ruim leva a uma outra muito melhor, acabo achando graça e relaxando, foi assim que consegui dormir bem na noite seguinte, mas sempre pensando no meu quartinho, apenas meu, já reservado no próximo hostel. É onde estou agora,só que antes preciso falar separadamente de cada um dos dias em Drakensberg Mountains. Tenho que correr contra o tempo e a conexão da internet, normalmente lenta. (Postagens seguintes: Lesoto e Neve na África)

2 comentários:

  1. Ei amiga, mais aventura! Aqui a saudade é grande!
    Continue aproveitando tudo mas sem chulé né?
    Grande beijo

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  2. Oi filha,logo você,dormindo com um chulepento???
    Mas tudo tem sua recompensa né? Curta bastante esse restinho de sua viagem.
    Já estou contando as horas pra te ver...
    Beijos,
    mãe

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